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Ser avô ou avó não significa ser distante


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A pesquisa e a atenção pública direccionadas para as necessidades e para o desenvolvimento físico e psicológico das crianças constitui um fenómeno recente. De facto, apenas nas últimas três décadas do século XX é que este campo pioneiro da ciência foi aceite.

Ainda no início dos anos 70 era raro falar-se na noção e na ideia de que os bebés e as crianças pequenas necessitavam de algo mais para além da sua mãe, comida, etc e de que o desenvolvimento, a personalidade e as capacidades da criança não eram traços herdados e sim o resultado da afeição, interacção e estímulos.

Quantas vezes já ouvimos a expressão: “É igual ao avô” ou “Na inteligência sai ao lado da mãe”? Estas expressões, bem como muitos outros dizeres e adágios, são o resultado de mal-entendidos e da falta de conhecimento, uma vez que, apesar de o seu filho poder herdar traços genéticos por natureza, a personalidade do seu filho, as competências linguísticas e a capacidade de desenvolvimento podem ser afectadas através da interacção social durante a sua infância e primeiros anos de vida.

A pesquisa actual sublinha estas conclusões com novos conhecimentos sobre a importância dos primeiros anos de vida. Por exemplo “em geral, a interacção positiva e de qualidade durante os primeiros anos de vida do seu filho tendem a estar ligadas de forma positiva às capacidades intelectuais e linguísticas subsequentes da criança e a uma maior ligação às principais pessoas que cuidam da criança” (Bornstein 1995) e o desenvolvimento positivo ao longo da infância é, na maioria dos casos, o resultado da atenção comum (Dodici, Draper & Peterson 2003).

Enquanto que actualmente as gerações se tornam cada vez mais conscientes da necessidade de brincar, interagir, conversar e dar respostas positivas aos bebés e às crianças pequenas, muitos avós cresceram numa altura em que os resultados e as conclusões da pesquisa de desenvolvimento sobre as crianças eram desconhecidos ou pouco falados.

Vemos frequentemente em filmes e na televisão a figura estereotipada de um avô severo e inflexível ou de uma avó austera e distante, imagens essas que são antiquadas e desactualizadas.

Brincar, cuidar e partilhar momentos com o seu neto, enquanto este está sentado/a na sua cadeira alta à mesa de jantar ou enquanto passeia com ele no seu carrinho, permite-lhe interagir cada vez mais com ele/ela e ajudá-lo/a no seu desenvolvimento (Saxon 1997). Possivelmente na próxima vez que alguém da sua família disser: “É igual ao avô/avó”, poderá sorrir, sabendo que provavelmente tem razão devido à ligação, incentivo e interacção que teve com o seu neto nos seus primeiros anos de vida.

Fontes:

Bornstein, Marc H., ed. 1995. Handbook of Parenting (Guia da Maternidade): Status and Social Conditions of Parenting (Estado e Condições Sociais da Maternidade). Mahwah, NJ: Lawrence Erlbaum Associates. via questia.com

Dodici, Beverly J., Dianne C. Draper e Carla A. Peterson. 2003. Early Parent-Child Interactions and Early Literacy Development (Interacção Precoce Entre Pai e Filho e Desenvolvimento Precoce da Literacia). Topics in Early Childhood Special Education 23 (Tópicos sobre a Educação Específica e Precoce na Infância), nº 3: 124+. via questia.com

Saxon, T. F. (1997). “A longitudinal study of early mother-infant interactions and later language competence” (Um estudo longitudinal da interacção entre mãe e filho e das competências linguísticas adquiridas). First Language (A Primeira Linguagem). 17, 271-281. Shatz, Marilyn. 1995. A Toddler's Life: Becoming a Person (A Vida de Uma Criança Pequena: Tornar-se uma Pessoa). Nova Iorque: Oxford University Press. via questia.com


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